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Educação sexual nas escolas. Qual a sua opinião?


Recentemente o ator Marcelo Adnet durante bate-papo para o Podcast “Podpah” revelou que foi abusado quando tinha somente 5 anos de idade, e que foi salvo por seu avô que chegou na hora, e faz apelo pela educação sexual nas escolas.


E qual a importância da educação sexual nas escolas?


Existe um receio de muitas pessoas de que educação sexual seja ensinar a fazer sexo, estimular a sexualização das crianças. E essa não é a realidade. A educação sexual, pelo contrário, deve ser proposta de acordo com a faixa etária das crianças, e ser usada para ensinar sobre sua região íntima, como pode ou não ser tocada e por quem. Ajudando assim a prevenir situações de abuso sexual, por exemplo. Trazer essas orientações para as crianças significa explicar sobre privacidade, autoproteção, sentimentos e consentimentos.


Também podem ser esclarecidas sobre as mudanças pelas quais o corpo passa e a importância da higiene, gerando assim mais autoconhecimento corporal. As escolas precisam respeitar cada faixa etária e o estágio de desenvolvimento das crianças. A partir dos 4 anos, ainda na educação infantil, começam a surgir curiosidades sobre o corpo. Os educadores podem aproveitar a oportunidade para ensinar o nome correto dos órgãos genitais e os conceitos de privacidade, por exemplo.


A educação sexual nas escolas deve ser mais do que apenas esclarecer dúvidas dos alunos. Ela precisa ser preventiva e sistematizada. Portanto, é necessário que os professores saibam o que estão fazendo, e principalmente para quê o fazem.


Através de projetos, palestras e/ou oficinas nas escolas podem ser trabalhados vários temas com crianças e adolescentes: Valorizando as diferenças, ninguém é igual (físico, comportamental), quem sou eu e quem é o outro, direito à igualdade (combate a discriminação), sexualidade e gênero, identidade, diversidade, padrões de beleza, exposição na internet, evitar casos de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis de acordo com a necessidade, e adequada à realidade dos alunos.


A existência de diversos preconceitos, tabus e a falta de se conversar sobre este tema faz com que crianças e adolescentes fiquem vulneráveis sobre o seu corpo e a sua sexualidade. A educação sexual nas escolas é uma importante ferramenta para possibilitar que os jovens conheçam seu corpo, como forma de orientação e proteção.


De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 76% dos casos de estupro de vulnerável (quando a vítima tem menos de 14 anos), o agressor é um parente ou amigo próximo da família da criança e/ou adolescente, e na maioria das vezes o crime é cometido em ambiente familiar.

A escola pode formar uma rede de proteção e ajuda a essas crianças e adolescentes. É muito importante esse apoio, pois tem contato com o jovem diariamente, pode entender se está acontecendo algo e ensinar a se proteger, além de ser um canal seguro para denunciar o abuso.


No ambiente escolar, os educadores precisam estar atentos a quaisquer mudanças de comportamento dos alunos. Na maioria das vezes a criança não fala que está sofrendo abuso, porém ela pode sinalizar a violência sexual por meio de sinais e alguns sintomas. Como por exemplo: se manter isolado ou com dificuldade de se relacionar com o colega. Outro comportamento muito frequente nas escolas é a queda de rendimento escolar, falta de concentração e desatenção. Ansiedade, raiva e tristeza podem ser sentimentos comuns.


Educadores e educadoras precisam estar preparados para saber como se dá o desenvolvimento da sexualidade na infância para que possam orientar de forma adequada, sem criar traumas ou complicações para a vida dessa criança. Daí a importância de orientar e capacitar esses professores para que eles estejam preparados para lidar sobre sexualidade de forma positiva.


Novos dados da pesquisa nacional Educação, Valores e Direitos, realizada em, março de 2022, mostram que 91% da população concorda que a educação sexual ajuda crianças e adolescentes a se prevenirem contra o abuso sexual.


Além disso, 96% defendem que as escolas devem oferecer informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e como preveni-las e 93% são favoráveis a que as(os) estudantes recebam, nas escolas, informações sobre como evitar uma gravidez indesejada. Sete em cada dez acreditam que a instituição de ensino está mais preparada que os pais para explicar temas como puberdade e sexualidade.


A pesquisa, coordenada pelo Cenpec e pela Ação Educativa e realizada pelo Centro de Estudos em Opinião Pública (Cesop/Unicamp) e Instituto Datafolha, entrevistou 2.090 pessoas em todo o país sobre questões consideradas polêmicas relativas à política educacional, entre elas a abordagem de questões relacionadas à educação em gênero e sexualidade. A realização da pesquisa contou com recursos do Fundo Malala.



Autora: Juliana Graça @julianangraca

Revisão e edição de Texto:

Débora Carvalho @psideboracarvalho


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