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Sexo e emoções se separam?

Atualizado: 14 de mar.



A vida sexual anda cada vez mais complexa, pois quando falamos especificamente do sexo, há diferenciação de como cada pessoa lida emocionalmente com as próprias atividades sexuais. Para isso, vamos partir do princípio histórico onde podemos observar a diferença entre como o homem e a mulher encaram o sexo.


A relação entre sexo e emoções sempre esteve presente, pois o prazer começa na mente. Sempre falo que o maior órgão sexual que temos é o cérebro, pois nele é que temos neurotransmissores como a dopamina e serotonina, principais responsáveis pela regulação emocional e onde são ativados os hormônios sexuais como o estrogênio e a testosterona.


Por meio dessa dança neurológica é que começamos a ter uma resposta sexual satisfatória. A grande questão é que quando duas pessoas estão tendo um encontro para um sexo casual pela primeira vez, existem expectativas das quais não são conversadas antes. Há ainda muito receio de se entregar a uma noite de prazer, com bom sexo, carinho e cuidado, e a outra pessoa ficar "emocionada" com tanta atenção. Se sua intenção não é encontrar alguém para casar e ter filhos, não é nem um pouco coerente esperar que depois de uma transa intensa, com conexão íntima, carinho, prazer e satisfação, ambos não sintam nada um pelo outro, pois a química ali compartilhada faz parte das relações humanas.


O medo de se apaixonar, da rejeição e do abandono fazem com que homens e mulheres não se entreguem totalmente ao prazer, fazendo com que as relações sexuais sejam medianas, e até insatisfatórias. Para homens, fugir do local depois de uma boa transa virou regra, para mulheres, não ligar no dia seguinte e dar um "gelo" também se tornou padrão.


Geralmente, mulheres parecem mais afetadas emocionalmente pelo sexo do que os homens, e isso tem uma explicação. Uma transa incrível pode deixar homens sentimentalmente indiferentes porque eles não aprendem sobre prazer da mesma forma que mulheres, o prazer sexual masculino ainda é muito ligado ao pênis e às fantasias visuais do que um envolvimento, sedução, etc., o que é difícil acontecer com mulheres, que ainda têm suas primeiras experiências sexuais baseadas em fantasias por um homem que assuma a tarefa de lhes dar prazer, carinho e atenção. Por mais que hoje a fantasia do príncipe encantado tenha ficado envelhecida, e as mulheres estão cada dia assumindo o protagonismo do seu prazer, sexo e emoções costumam andar mais próximos na cabeça das mulheres do que dos homens, até porque homens são instruídos a separar o sexo do amor, enquanto mulheres são ainda ensinadas a unir.


Os hábitos sociais e culturais vão mudando com o tempo e de acordo com cada região – Até mesmo a educação sexual e a ideia do amor romântico. Mulheres ainda lutam por uma melhor autonomia dos seus corpos, prazer e orgasmo, enquanto a sociedade ainda cobra delas uma fragilidade para que exista sempre um homem a ampará-las. Mesmo falando bastante sobre mulheres, hoje muitos homens também passam por situações onde não conseguem separar sexo do emocional, isso inclusive trazendo prejuízos no desempenho sexual deles, disfunções e dificuldades de se relacionar com mulheres. Mais distantes do que nunca das próprias sensações do corpo, há homens que não sabem diferenciar a intensidade do sexo de uma paixão, e ao invés de encarar essas emoções para compreender que o sexo pode ter sido intenso, gostoso e não necessariamente ele tenha que casar e ter filhos com a parceria, costumam fugir e até evitar transar com determinadas pessoas das quais a atração sexual foi mais conectiva.


A paixão da cama é diferente da paixão relacional – Os PA's e BA's da vida, como costumam dizer. A Paixão relacional acontece nos detalhes fora da cama, nas preliminares, em como ela fica sexy com o cabelo amarrado ou como ele faz a barba na frente do espelho. É quando você se perde nos gestos banais. Agora a Paixão da cama é a cara de prazer que vocês compartilham, a forma única de como você se entrega, a satisfação de ter uma conexão tão intensa que se pudessem, não sairiam daquela cama tão cedo.


Veja, não há como separar totalmente o sexo das emoções, mas o autoconhecimento vai te fazer entender que a entrega sexual não vai fazer com que você esteja servindo seu amor ao outro. O contato sexual humano é gostoso e totalmente possível, se você entende que para tudo existem riscos – inclusive de se apaixonar – não só na cama mas fora dela. Nos relacionamos com pessoas a todo momento, e é assim que aprendemos a escolher caminhos e também a sair de situações das quais não gostamos, incluindo o sexo. Independente do sexo e da emoção, se entregar ao seu prazer sem depender do que o outro pensa, e deixando claro que você quer sim estar com aquela pessoa naquele momento (não necessariamente para a vida) é o ideal a se fazer.


E você? Consegue separar sexo das emoções?



Autora: Rayana Oliveira Especialista em Sexualidade Humana

@terapeutadoprazer


Revisão de Texto: Débora Carvalho Psicóloga (CRP 04/42242) Especialista em Sexualidade Humana

@psideboracarvalho

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